segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

ESTUDOS de ARTE - 008

Uma AULA  de
Mário Raul de Morais Andrade 
(1893-1945)
Fig. 01 - Mário de Andrade era músico, antes de tudo. Como tal havia desenvolvido a sua competência de escuta e de memória auditiva. Capacidade de escutar e de memorizar os mais diversos repertórios de idades e culturas orais das regiões brasileiras. Com a sua mais alta competência intelectual sabia que a base estava em quem estava se iniciando na civilização.
.
A Conferência de Mario de Andrade para a UNE representa uma aula magna raramente igualada ou superada nalguma universidade brasileira. Esta aula, muito além de resgatar o essencial do passado recente, possui dimensões que afirmam o presente de 1942. Texto que expressa o ENTE brasileiro no seu modo de SER. Para tanto Mario lança as bases dos parâmetros culturais de um pacto nacional a ser construindo coletivamente no porvir.
Fig. 02 – Em 1942 toda a civilização humana estava em perigo e dilacerada entre dois perigos antagônicos e irreconciliáveis interna e externamente. Culminância de regimes e ideologias  absurdas, cegas e surdas aos mais elementares direitos a vida e as conquista de civilizações. Mário de Andrade  soube explanar, no mais nível,  as bases da civilização brasileira. Sem se impor ou buscar prosélitos o PODER ORIGINÀRIO pronunciou-se unido e solidário com a busca da Democracia e por dela, a Paz.

Do passado realiza uma síntese dos 20 anos posteriores à Semana de Arte Moderna de 1922. Do presente aponta os valores pelos quais o Brasil estava entrando na II Guerra Mundial e sem mencionar o fato. Para o futuro traça as competências e os limites de uma consciência coletiva nacional. Na riqueza destas três dimensões do TEMPO destaca-se uma frase desta Conferência que sintetiza o PRESENTE, o PASSADO e o FUTURO que ele aguardava do Brasil. Assim Mário de Andrade propõe (1942,  p.45)[1] para a UNE:
O direito permanente à pesquisa estética; a atualização da inteligência artística brasileira; e a estabilização de uma consciência nacional [..] A novidade fundamental, imposta pelo movimento, foi a conjugação dessas três normas num todo orgânico da consciência coletiva
O autor é cuidadoso ao preferir o termo “CONJUGAÇÂO”  afastando o fantasma do “ECLETISMO”. O próprio Mario havia fulminado, em 1938,  o termo “ECLETISMO” como acomodatício e máscara de todas as covardias”. -  [in Andrade 1955, fl. 13]



[1]     - ANDRADE, Mario O movimento modernista: Conferência lida no salão de Conferências da Biblioteca do Ministério das Relações Exteriores do Brasil no dia 3 de abril de 1942. Rio de Janeiro :Casa do Estudante do Brasil, 1942,  p.45.
      Esta conferência evocava os resultados culturais da Semana de Arte Moderna de 1922. Mario da Andrade havia sido umas das figuras centrais desta Semana. Ele se indispusera em 1938 com o Estado Novo. A conferência ocorria no auge desta ditadura que entrava em guerra com o Eixo.
                Mário coloca a nacionalidade como primeiro principio os concluía com busca da construção de uma consciência coletiva.
Fig. 03 - Mário de Andrade manejava com maestria o VERBO escrito e falado Com os pés profundamente assentados na terra paulista [WELTGEST]  soube escutar, escrever e interpretar os mais escondidos e esquecidos recantos nacionais dos quais trouxe as vozes, as imagens e as energias populares [VOLKSGEST]  elaboradas e guardadas durante séculos [ZEITGEST] .

 No momento desta Conferência de Mário de Andrade ganhava adeptos e estava em pauta a busca do “TIPO” ARIANO.  Em nome deste tipo eclético - e que jamais existiu ou existirá - mentes sinistras forjavam este TIPO IDEAL. Em nome deste TIPO IDEAL aniquilavam fisicamente milhões de seres humanos que não se enquadravam nesta monstruosidade forjada.
A própria obra MACUNAIMA de  Mário pode ser vista como paródia e farsa desta busca do “TIPO IDEAL BRASILEIRO” na saga do “Dom Quixote” de Cervantes, “Don Juan” de Molière ou “Servo de Dois Patrões” de Goldoni.
Fig. 04 - Mário de Andrade entregou, em 1928,  para a imaginação do seu leitor um texto poético e uma metáfora tão poderosa e tão competente em todos os repertórios e tempos suscitar imagens e apropriações que correm por conta e risco dos seus leitores e dos seus repertórios pessoais.  Na medida em que Mario consegue recuperar toda a história brasileira, Realiza esta narrativa sob a forma da farsa e do mito escrachado sob o domínio popular. Costura o repertório costura   numa peça na melhor companhia de um Molière, Cervantes e de Goldoni.

Porém, em 1942, Mario de Andrade soube distinguir três momentos do processo criativo brasileiro no meio de um oceano de  dúvidas e de certezas mínimas. Certezas mínimas do direito primordial e fundamental à “PESQUISA ESTÉTICA” que autor  reivindica para a sua obra e dos demais artistas brasileiros. Não menos importante e necessária é a “ATUALIZAÇÂO da INTELIGÊNCIA” Porém a criação e inteligência necessitam da terra fértil do contínuo da “CONSCIÊNCIA NACIONAL”.  Consciência de todas as competências e dos limites surgidos a partir da obra e do conhecimento das suas circunstâncias.
Fig. 05 – O pintor e gravador Lasar Segall, amigo de Mário de Andrade, conseguiu uma imagem  síntese do método de trabalho do escritor ao produzir, em 1928,   num período de férias a obra MACUNAIMA. O artista não possui fim de semana, férias ou aposentadoria. O trabalho do artista nos trópicos é singular e necessita sintonia com a Natureza para superá-la e produzir algo que ela nã arraste para uma rápida e irreversível entropia física, intelectual e cultural.

Mário de Andrade conseguiu recuperar toda a história brasileira. A sua extensa obra escrita move-se e é impulsionada pelas circunstâncias internas e externas à célula nacional. A membrana desta célula nacional é competente para conter a inteligência, a vontade e sensibilidade brasileira. Ao mesmo tempo dá conta da filtragem das demais culturas externas por meio do exercício da inteligência e da Razão.
Na obra escrita de Mário de Andrade é passível perceber a diacronia interna da nação brasileira atualizadas na sincronia com as demais culturas. Percebe-se uma “PESQUISA ESTÉTICA” portadora de um “ZEITGEIST” no contínuo da sua diacronia. A “ATUALIZAÇÃO da INTELIGÊNCIA” no âmbito de uma sincronia no “VOLKSGEIST” que se torna cada vez mais cumulativo planetário. Concepção “CONSCIÊNCIA NACIONAL” que possui uma territorialidade de um “WELTGEIST” com outras culturas e nacionalidades das quais se distingue e contribui à sua maneira singular de SER.
Fig. 06 – O sentimento de pertencimento de Mário de Andrade ao seu grupo de artistas, para a sua geração, língua e cultura vai muito além  do evento da Semana de Arte Moderna de fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo.. O evento fez convergir  para uma espécie de pacto ou contrato estético do qual cada um dos participantes se encarregou de desenvolver. Se houve conflitos e excomunhões recíprocas elas ganhavam sentido e força na medida em que o artista produz para oseus concorrentes que são os primeiros e, as vezes, os únicos a compreender os acertos e desvios de projetos individuais e coletivos.

Circunstâncias internas e externas à célula nacional e passiveis de serem percebidas na diacronia interna, atualizadas na sincronia externa das demais culturas. Uma “PESQUISA ESTÉTICA” portadora de um “ZEITGEIST” no contínuo da sua diacronia. A “ATUALIZAÇÃO da INTELIGÊNCIA” no âmbito de uma sincronia no “VOLKSGEIST” que se torna cada vez mais cumulativo planetário. Concepção “CONSCIÊNCIA NACIONAL”   que possui uma territorialidade de um “WELTGEIST” com outras culturas e nacionalidades das quais se distingue e contribui à sua maneira.
Fig. 07 – Muito antes de Marcel Duchamp  desafiar o artista a desafiar e ampliar a sua sensibilidade por meio da formação institucional e erudita Mário de Andrade frequentou o Conservatório Dramático Musical de São Paulo e depois tornou-se um dos seus mestres. Além de encontrar pessoas com o mesmo ideal de cultivo da sensibilidade, inteligência e vontade no meio da “Pauliceia Desvairada” encontrava desafios, crítica autorizdas e circulação de artistas do mundo inteiro que seriam muito difíceis de encontrar sem esta instituição.

Estes três vetores são artificiais e constituem apenas ferramentas racionais para mover-se neste oceano de saber. Saber de Mário de Andrade que guarda ainda muito a ser explorado por meio de  outras ferramentas. O âmbito destes três vetores cartesianos é a inteligência e a razão humana. Os três eixos cartesianos (X-Y-Z)[1]. O X da diacronia e da linha de tempo “ZEITGEIST”. é um contínuo que pode ser dividido em infinitas partes na concepção de Leonardo da Vinci. O Y da sincronia remete para a ATUALIZAÇÂO da INTELIGÊNCIA de outros povos “VOLKSGEIST”  e de culturas que possuem projetos distintos do brasileiro. O Z contempla a TERRITORIALIDADE “WELTGEIST” do imenso espaço físico brasileiro com todas as conexões possíveis de fluxo para e de culturas planetárias.



[1] - Os três eixos cartesianos na pesquisa estética ver  http://profciriosimon.blogspot.com.br/2014/11/101-isto-e-historia-da-arte.html

Fig. 08 – O próprio desvario é uma afirmação antagônica à racionalidade cartesiana. As ordenadas cartesianas permitem o conhecimento dos desvios da vontade e dos sentimentos do artista. Trata-se de uma ATUALIZAÇÂO da INTELIGÊNCIA e da RAZÂO para aferir a CRIAÇÂO. Se não for possível esta aferição a obra perde-se no imponderável e retorno para o mundo da Natureza entrópica, cíclica e implacável

Esta tripla percepção do mesmo objeto constitui uma criação cartesiana artificial e artificiosa no âmbito da inteligência e da razão humana. Como instrumento possui a função de um ponto externo de apoio da alavanca de Arquimedes. O seu objetivo é praticar distinções para contornar o caldeirão do ecletismo intelectual, da vontade e do sentimento humano comum diante do fenômeno estético.
Fig. 09 – O retrato de Mario de Andrade por Tarsila do Amaral constitui um retorno para a tinta e pincel sobre uma superfície. Tintas portadoras e  carregadas com o cromatismo e a emoção que guiadas as pinceladas pela  uma ATUALIZAÇÂO da INTELIGÊNCIA e da RAZÂO para aferir a CRIAÇÂO. Se não for possível esta aferição a obra perde-se no imponderável e retorno para o mundo da Natureza entrópica, cíclica e implacável

De outra parte é indispensável a leitura da aula magna de Mario de Andrade, proferido em 1942, em pleno Estado Novo. É necessário entender esta Conferência  sob impulso das decisão de o Brasil entrar ou não entrara na II Guerra Mundial. Supõe conhecer a vontade de o estudante brasileiro compreender as razões para sacrificar os bens materiais e inclusive a vida nesta opção.
Fig. 10 – A fotografia de Mario de Andrade onde aparece colocado no limiar do Conservatório Dramático Musical de São Paulo e o mundo externo é paradigma. É a imagem  do intelectual, do professor e do musicista intimista que se expõe à critica, ao movimento e fazer pragmático de uma cultura em plena fase de mudanças  Nesta interação tanto o mudo interno da cultura e da arte ganham como o mundo externo percebe circular as energias, as forças do mundo simbólico. Interação indispensável para o nascimento, a criação e a reprodução de um pacto político, social e econômico de uma nação..

A lição da aula magna de Mario de Andrade, do dia 3 de abril de 1942, no Ministério das Relações Exteriores do Brasil revela a sua atualidade. Muitos escondem sob o tapete da Pós-Modernidade e o interpretam como  um ecletismo, um caos e um “vale tudo” e refúgio de todas as covardias. Certamente a Era Pós-Industrial necessita muita pesquisa, desafia uma atualização da inteligência na rede mundial e sem se deixar arrastar pela torrente da heteronomia dos mais fortes e espertos. Espertos e fortes como aqueles de 1942 com os seus regimes e ideologias  absurdas, cegas e surdas aos mais elementares direitos a vida e das conquista de civilizações.
  Porém acima de todas as intrigas - entre estéticas possíveis - paira a lição maior da aula magna de Mário de Andrade que remete para a busca de uma consciência coletiva brasileira. Consciência proveniente de baixo para cima e convergindo para um autêntico pacto nacional e um contrato coletivo coerente e competente para expressar e tornar sensível o ENTE brasileiro no seu modo de SER.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS
ANDRADE, Mario O movimento modernista: Conferência lida no salão da Biblioteca do Ministério das Relações Exteriores do Brasil no dia 3 de abril de 1942. Rio de Janeiro: Casa do Estudante do Brasil, 1942,  81 p .
------- Curso de Filosofia e História da Arte. São Paulo : Centro de Estudos  Folclóricos, 1955. 119 f.

FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS
90 anos da Semana da arte moderna

1942 – Duas mentalidades antagônicas no Brasil

ARTE e POLÌTICA

CARTA de MÁRIO de ANDRADE para TARSILA do AMARAL

ESCOLA DRAMÀTICA MUSICAL de São PAULO


ESCRITOS e FONTES de MÀRIO de ANDADE

MACUNAIMA - 1928


O BRASIL NASCEU VELHO e CONTINUA ARCAICO

ODE ao BURGUES

PINTURA BRASILEIRA APÒS 1922
Este material possui uso restrito ao apoio do processo continuado de ensino-aprendizagem
Não há pretensão de lucro ou de apoio financeiro nem ao autor e nem aos seus eventuais usuários
Este material é editado e divulgado em língua nacional brasileira e respeita a formação histórica deste idioma.

Referências para Círio SIMON








sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

ESTUDOS de ARTE 007

O CENTENÁRIO  de
Aldo LOCATELLI.
(*18 de agosto de 1915 - + 03 de setembro de 1962)

Sob a aparência, estou tentado dizer sobre o disfarce, de um dos membros da raça humana, o indivíduo é de fato sozinho e único e no qual as características comuns a todos os indivíduos, tomados no conjunto, não possuem nenhuma relação com a explosão solitária de um indivíduo entregue a si mesmo.
DUCHAMP. Marcel O artista deve ir à universidade? in SANOULLET, Michel. DUCHAMP DU SIGNE réunis et présentés par Michel Sanouillet Paris: Flammarrion, 1991, pp. 236-239

Aldo LOCATELLI -  Duas Figuras 1961 - Óleo sobre tela 94 x 192 cm Acervo Pinacoteca Barão da santo Ângelo IA-UFRGS
Fig. 01 – Uma das últimas pinturas de Aldo Locatelli é índice e documento de um verdadeiro testamento de um personagem e de uma época que estão se preparando para mergulhar no caos primordial. O autor busca a essência no meio de suas dúvidas e indagações sobre a vida e arte.  Distribuição da tinta sobre uma superfície que ele  ocupa por meio de duas figuras humanas apenas esboçadas. Simplicidade  e parcos recursos que disfarçam um profundo conhecimento plástico e um amor a vida.

 Na presente postagem busca-se situar Aldo Locatelli no seu tempo de Brasil e os seus observadores. Não se trata de uma biografia, de uma análise estilística de sua obra e muito menos de mais um panegírico.  Sua biografia, suas obras e os eventuais depositários de sua obra são bem conhecidos e foram objetos de numerosas narrativas. Entre elas impõe-se a atenção e leitura das narrativas de Brambatti (2008), de Trevisan e Gomes (1998 ) e Zattera (1990) com o tema da biografia dr Aldo Locatelli e da sua  obra
O foco da presente postagem será a logística do seu estudo, de sua analise e o problema desta memória nos próximos séculos. Trabalha-se na perspectiva das expressões de autonomia no campo das artes visuais em Porto Alegre e com a janela logística do abrigo institucional. Expressões da autonomia que são constantes na obra, no pensamento e na vida do artista. Expressões que custaram caro ao muralista.  Espera-se que o centenário de nascimento de Aldo Locatelli não seja uma pedra sobre a memória destas expressões de autonomia, um evento de um segundo enterro de luxo ou um monumento formal e hermético para os pósteros.
O tema do presente estudo pauta-se pelo TEMPO (ZEITGEIST) de Aldo Locatelli no Brasil (WELTGEIST) e do seu público (VOLKSGEIST) e a logística para uma narrativa relativa a sua pessoa, a sua obra e ao seu pensamento.
 Logística que enfrenta o problema de que sua obra, sua pessoa e o seu pensamento até o presente não geraram uma instituição, uma fundação e um ambiente de cultivo específico exclusivo. Ambiente institucional no qual profissionais qualificados  se dediquem em tempo integral a estudar, sistematizar e trazer ao público contemporâneo e aquele do porvir a memória deste material físico e simbólico. Sem estes profissionais de tempo integral, sem uma mantenedora com estatuto e fontes técnicas, científicas e econômicas seria mais uma tentativa vã, alienante e dispersiva entre os mais de 3.000 mil museus do Brasil. No fim uma instituição desta natureza não passaria de mais uma lápide com uma bela, emocionante e entusiástica epigrafe. Documentos, obras do próprio artista e seu pensamento necessitam de profissionais de História, de Arquivologia e de Museologia. Estes profissionais necessitam serem amparados por meios técnicos, conceituais e econômicos capazes de estudar, atualizar e divulgar de uma forma constante e coerente com o mundo cultural vivo e em constante reelaboração.
Se a obra, a pessoa e o pensamento de Aldo Locatelli forem apenas objeto de mitificação, de propaganda e eventos de marketing pessoal ou ao contrário de naturalização só atrapalham e aceleram o funeral definitivo e não ajudam em nada. Mitificação, propaganda e eventos atrapalham o necessário salto de qualidade para o mundo do pensamento, de uma construção simbólica coerente com um projeto civilizatório. Mitificação ou naturalização que oferecem seus flancos para os ataques da entropia, do desgaste e constroem o túmulo definitivo a ser olvidado pelas novas gerações e para aqueles que não pertencem ao que se pretende mitificar ou naturalizar. Mitificação, propaganda e eventos atrapalham uma visita atenta e atenciosa para o pensamento, a obra e memória de Aldo Locatelli.
Fig. 02 – O  tema aversivo do “Ébrio” na obra de Aldo Locatelli que expõe o lado oposto dos temas da mitificação pelas quais era contratado. Esta obra intimista e trágica  foi retirado do olhar público da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Como obra intimista e pessoal - não destinado ao mercado de  arte - revela as profundas frustações e desesperos da criatura humana entregue a si mesma. O tema aversivo disfarça um profundo conhecimento plástico e um amor a vida mesmo neste ponto de degradação e miséria humana. Não deixa de ser pintura,  devido a. distribuição da tinta sobre uma superfície. Os centros deslocados a favor da  PROPORÇÃO ÁUREA criam tensão plástica subliminar necessário ao tema. .A  figura humana  ocupa a linha áurea do lado esquerdo do quadro enquanto a mão está sobre um dos pontos da sua média e extrema razão . Na cultura brasileira responde ao filme e a canção do “Ébrio” de Vicente Celestino., .

As análises narrativas orais, escritas ou visuais - realizadas na ausência de profissionais qualificados e específicos -  comprometem, de fato, o pensamento, as obras e a memória de Aldo Locatelli tanto para a cultura local interna como aquela que se quer mostrar ao mundo externo. Narrativas que formam um lúgubre cortejo fúnebre definitivo e irreversível do pensamento, da obra e da memória de Aldo Locatelli.
O estudo e a percepção do TEMPO (ZEITGEIST) de Aldo Locatelli no Brasil estão balizados entre o ano de 1946 da redemocratização ESTADO NOVO e ano de 1964 do GOLPE. Tempo brasileiro cuja expressão maior e mais evidente foi o governo (1956-1961) de Juscelino Kubitschek com a mudança da capital para Brasília. No Rio Grande do Sul o governo (1959-1963) de Leonel Brizola marcou este dinamismo e vontade de mudança que atingiu sua culminância política com o movimento da Legalidade (1961). Na Universidade Federal a legendária administração reitoral (1952-1964) de Eliseu Paglioli (1889-1985) para quem Locatelli pintou, em 1958,  o mural que preside, até os dias atuais,  as sessões Conselho máximo desta Universidade.
Fig. 03 – O reitor Eliseu Paglioli acompanhou pessoalmente a execução desta obra no atelier do artista situado na Rua Dario Pederneiras Nº 513, de Porto Alegre. Ele aparece de pé no lado esquerdo de quem olha o quadro. Sentado ao centro esta Manuel André da Rocha primeiro Reitor da URGS e vice presidente do IBA-RS.  O próprio artista se representou, de pé, no grupo central e com a cor de terra O médico Olinto de Oliveira, fundador do IBA- RS esta de pé neste grupo e portando as vestes talares e barrete de sua titulação doutoral.  A obra é testemunho das interações acadêmicas do ano de 1958 quando o IBA-RS estava fora da URGS. Esta expressão de autonomia e a compreensão da Universidade desta condição do campo de forças da arte valorizam o momento e exaltam o PROJETO  CIVILIZATÓRIO COMPENSADOR desenvolvido em ambas as Instituições.

O mestre tinha urgência, percebia e  expressava otimismo no que outros enxergavam como obstáculos intransponíveis. Assim era incisivo na sua tese que não teve tempo de vida para defender publicamente. Locatelli urgia, neste esboço de 1962, para que os artistas sul-rio-grandenses  assumissem um pensamento de autonomia estética, intelectual e agir prático:
“Assim é, consequentemente, neste clima que o Brasil, o nosso mesmo Rio Grande do Sul tão pródigo em vocações artísticas, vivem internacionalmente no mesmo valor de Paris, Roma, Tóquio, Nova York e de Moscou. Estamos errados se pensamos que os centros de maior tradição e movimento artístico devem ser os nossos guias, absorvendo-nos com teorias resultantes de ambientes bem diferentes e preocupados de não repetir-se nos exemplos de uma grande tradição. Ao contrário, nós vivemos no princípio da nossa formação de civilização e devemos tentar expressá-la nos nossos próprios valores”.
Ao mesmo tempo não perdia a ocasião para alertar em relação a qualquer sentimento menor ou a espera por alguém ao qual devia se submeter e viver na sua sombra e numa heteronomia servil.
Aldo Locatelli cultivava a sua autonomia da mesma forma do que os mestres italianos viviam profissionalmente do seu ofício por meio de contratos profissionais. Autonomia expressa no pertencimento a entidades nas quais era reconhecido e admirado pelo seu trabalho e dedicação de tempo integral. As instituições nas quais eventualmente lecionava aproveitavam mais do seu currículo do que as parcas retribuições e garantias que ofereciam ao seu professor.  No próprio IBA-RS não ia muito longe a memória de que os próprios diretores não importunaram mestres como Pedro Weingärtner, envergonhados das parcas retribuições salariais e as garantias profissionais que estas escola podia oferecer a este potencial professor
http://www.emiliosessa.com.br/ci/arquivos/mostra_foto/40 Obra executada por Locatelli, Emílio Sessa e Attílio Pison.
Foto de Luís Eduardo Achuttii
Fig. 04 – Uma das primeiras obras de Aldo Locatelli em Porto Alegre exalta um WELTGEIST posterior a guerra cuja tecnologia estava sendo sublimado para a paz e bem estar humano O autor  cercou-se de um verdadeira missão artística para continuar o grupo de muralistas com os quais havia trabalhado na Itália.

O estudo do WELTGEIST deste período está no contexto da Guerra Fria. Guerra Fria que não só se expressou numa corrida armamentistas de grandes projeções,  mas numa guerra de ideias, de ideologias maniqueístas   e de circulações cada vez mais avançadas e eficazes. Se de um lado o WELTGEIST deste período abria portas e janelas em todas as direções, estas mesmas portas traziam e impunham mesquinharias, regionalismos economicamente triunfantes e arcaísmos de toda ordem. Uma cultura brasileira- na qual 0,019% da sua população estava frequentando universidades – dificilmente tinha uma massa crítica para fazer frente a este tsunami de projeções alheias caducas e ainda carregadas com as mais profundas motivações colonialistas. Aldo Locatelli percebeu a temeridade desta abertura para uma cultura parada no tempo ao escrever que:
“Compreendemos que a noção em Arte está em crise, é o resultado sempre mais fácil da difusão das culturas e das civilizações. Também a expressão da coletividade moderna, nós a sentimos viva e emocionante no mundo, no próprio país só se reflete. Gentes e homens, elementos expressivos gerados das secretas dificuldades da vida, dos eventos heroicos para os quais o anônimo se imola para o cumprimento de um dever cívico ou para defesa de um princípio espiritual que inspirará os artistas de muitas épocas e de nacionalidades diferentes, hoje fazem parte de uma civilização cujas premissas e esperanças abraçam todo o mundo”.
As próprias universidades entravam na rota deste projeto de heteronomia do mais forte e competente aceitando, ruminado e se alimentando de produtos de civilizações caducas e em franca entropia.
Fig. 05 – Um dos projetos de Aldo Locatelli cujo tema sofreu violenta intervenção de quem o encomendou devido a imagem  massiva de “marginais e sofredores” num tema sacro. Uma das suas últimas obras em Porto Alegre cuja execução definitiva o pintor não conclui desmotivado por esta falta de autonomia na sua arte. O motivo da censura foi que o seu  projeto exaltava um VOLKSGEIST que prenunciava e motivava os severos controles sociais, simbólicos e econômicos que se seguiram ao golpe de 1964 . O autor foi vitima de um expurgo indireto no momento em que o seu cargo de professor na UFRGS foi declarado vago devido à  morte precoce do candidato e sem a defesa pública de sua tese.

  O público e o repertório comum (VOLKSGEIST) na obra de Locatelli eram, além do religioso, aqueles das instituições públicas estatais e privadas.  No período de 1946 até 1964, o público brasileiro estava descobrindo horizontes  para além dos estreitos limites do controle que, antes,  o ESTADO NOVO (1937-1945) havia imposto com a proibição dos símbolos regionais e a queima das bandeiras dos Estados Regionais brasileiros. Neste movimento ganharam impulso as manifestações do saber e cultura local. Este se materializou e criou corpo nos Centros de Tradições Gaúchas. As obras de João SIMÕES LOPES NETO (1865-1916), de João CEZIBRA JAQUES (1848-1922) e de Alfredo FERREIRA RODRIGUES (1865-1942) foram visitadas. O mundo empírico - vindo das expressões populares sul-rio-grandenses - ganhava reforços mais recentes em Manuelito de ORNELLAS (1903-1969) e de Dante Laytano (1908-2000). Laytano estava trazendo os reforços internacionais da UNESCO. Tentava superar as contradições e tornar complementares com aquilo que estava sendo naturalizado e atropelado pelos valores imaginados por meio do “TIPO” único e hegemônico no Rio Grande do Sul. Tipo  expresso na obra do escultor  Antônio CARINGI (1905-1981)[1] e do próprio ORNELLAS o representante máximo do DIP no ESTADO NOVO.
Foto de Luís Eduardo Achuttii
Fig. 06 – Aldo Locatelli criou uma síntese de etnias, rostos, condições técnicas e de vestimentas nesta pintura cujo tema se inspira nos primórdios de Porto Alegre. Convergência de nobres e de plebeus brancos, índios e africanos é índice e é documento de uma época (1960) onde este tema do VOLKSGEIST estava ganhando contornos políticos, econômicos e sociais. Os seus estudantes inscreverem o seu autor como “UM DOS SEUS AMIGOS”..  A força e o poder provenientes de baixo desta base em direção ao vértice foram violentamente interrompidos e invertidos com o golpe de 1964, ano no qual o nome do artista foi excluído da lista dos docentes da UFRGS apesar de ter falecido em 1962..

Como erudito Aldo Locatelli, no sentido em que Marcel Duchamp apregoava na época nos Estados Unidos, trabalhava para livrar-se da heteronomia que o ESTADO FASCISTA ITALIANO lhe havia imposto a sua formação e as penosas  experiências militares. O espírito de busca de liberdade do Pós Guerra, tanto na sua pátria natal  como na adotiva, sublimava, o mais rápido possível, os resultados deste intervencionismo estatal em todas as esferas.
Esta autonomia exercida num pais com fortes traços coloniais e com a escravidão - passiva como a ativa – comprometiam uma obra tanto de quem a recebia como de quem encomendava.
Aldo cercou-se de companheiros experientes para se contrapuser e suportar estas pressões indevidas e desproporcionais para um indivíduo isolado. O historiador Doberstein está se cercando de profissionais da História e animando  o Instituto Cultural Emílio Sessa (1913-1990) e publicando ( 2012) os resultados destas buscas. Junto com o companheiro Attilio Pisoni formavam uma espécie de Missão Artística Italiana no Rio Grande do Sul. 
Fig. 07 – O ódio, a discriminação e a exploração do trabalho  alheio são temas recorrentes nesta série de quadros que compõe uma autêntica Via Sacra do Negrinho do Pastoreio.  Nesta obra o artista  busca o essencial no meio de suas dúvidas e indagações sobre a vida e sobre arte.  Cria uma obra que disfarça o seu profundo conhecimento plástico e o seu  amor a vida. Como pintor distribui a tinta sobre uma superfície na qual ele  ocupa o essencial  por meio de suas figuras humanas apenas esboçadas

A obra de Locatelli celebra esta liberdade e a contrasta com os efeitos da opressão estatal, ideológica e econômica. Na sua obra não pinta temas da guerra e de batalhas, mas as suas consequências da intolerância de toda ordem. Numa obra didática - e facilmente legível pelo seu público - exalta a união, o triunfo da civilização distante dos meios opressivos. Para se comunicar com seu público buscava uma temática do repertório comum (VOLKSGEIST). Ele escreveu na sua tese:
“O artista deverá encontrar no mundo estético a verídica força de expressão; mas a temática, a ideia, o assunto, nunca poderão influir negativamente na criação e sim como elemento positivo, porque leva o observador a entender a transfiguração da forma natural em favor dos valores plásticos que determinam a mensagem estética”. 
Fig. 08 – A glória e o reconhecimento das vítimas ocupam uma das salas nobres do Palácio Piratini.  Esta obra de Aldo Locatelli pode ser entendida como uma  gloriosa culminância  da Via Sacra dos padecimentos, das frustrações e da morte do Negrinho do Pastoreio. Para tanto concorre a figueira ancestral, os ritos dos despachos das religiões afro-brasileiras e a força d o tropel das cavalhadas de todos os tempos repercutem e animam esta culminância plástica colocada no centro do poder do Estado do Rio Grande do Sul. 

 Os meios materiais deste artista não passam da tinta sobre a parede na longa tradição pictórica de sua pátria de origem. Tragicamente foi vítima das tintas como também foi Cândido Portinari.
A maior recompensa para este artista, vitimado pelo seu amor a arte, é que seus observadores, estudiosos e divulgadores alimentem e renovem as bases logísticas do estudo da analise e da divulgação  da sua memória. Bases logísticas  para tornar fecundo e renovadora  o pensamento, as obras e a memória de Aldo Locatelli para os próximos séculos. A fortuna de uma frágil obra de arte depende da sua competência para ser portadora dos problemas, das dúvidas e dos projetos de um ser humano condicionado pelo seu TEMPO, pelo seu LUGAR e pelo seu POVO.


FONTES BIBLIOGRÀFICAS
ARTISTAS PROFESSORES da UFRGS - obras do acervo da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo. Porto   Alegre : Ed. UFRGS,  2002. 127 p.

BRAMBATTI, Luiz Ernesto. Locatelli em Caxias – Porto Alegre : Metrópole, 2003   96 p.
----------------- Locatelli no Brasil . Caxias do Sul-RS : Belas Letras, 2008, 240 p. ISBN 978-85-60174-29-4

DOBERSTEIN, Arnoldo Walter.  Emilio Sessa, Pintor, Primeiros tempos. Porto Alegre; Gastal&Gastal, 2012 160 p. ISBN 978-85-64916-01-2

DUCHAMP. Marcel O artista deve ir à universidade?[1] in SANOULLET, Michel. DUCHAMP DU SIGNE réunis et présentés par Michel Sanouillet Paris: Flammarrion, 1991, pp. 236-239

GOMES Paulo et TREVISAN. Armindo O mago das cores: Aldo Locatelli. Porto Alegre : Marpon et CEEE,
         1998c   144 p  Il. Color.

LAGEMANN Eugênio et  BONI Flávia – Palácio Piratini -  Porto Alegre : IEL, 2010, 144 p. il, col

LOCATELLI, Aldo  MURAL” ANÁLISE – CONSIDERAÇÕES, MÉTODO E PENSAMENTOS (Tese de concurso para o provimento efetivo da cadeira de composição decorativa dos cursos de pintura e escultura do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul – Porto Alegre, 1962) in CORREIO DO POVO, Caderno de Sábado. Volume X, ano V, nº 232, 22. Jul. 1972
ROSA, Renato et PRESSER, Décio.  Dicionário de Artes Plásticas no Rio Grande do 
       Sul. (2a ed) Porto Alegre : Editora da Universidade/ UFRGS, 2000,  527 p.

SIMON, Círio. ORIGENS   DO   INSTITUTO   DE  ARTES  DA  UFRGS: etapas entre   1908-1962  e 
          contribuições na constituição de expressões de autonomia no sistema de artes visuais do Rio Grande do Sul. Porto Alegre : PUCRS: Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Tese 2002. 561 f.

TREVISAN, Armindo.  «O Instituto de Artes da UFRGS». Veritas.: Porto Alegre, PUCRS Vol. 39, nº 156, pp.
        687-696 dez. 1994.

ZATTERA, Vera Beatriz Stedile . . Aldo Locatelli. Porto Alegre : Palotti, 1990, 184 p. il. Color


Fig. 09 – O ano de 2015 rememora o centenário de nascimento de Aldo Locatelli torna-se ocasião da consagração municipal.  Reconhecimento de Porto Alegre pela obra, pela dedicação e pela vida deste mestre que escolheu a capital do Rio Grande do Sul como base de sua produção artística. O decreto nº 18.919 do dia 18 de janeiro de 2015 publicado no Diário Oficial  do Município de Porto Alegre- Ano XIX edição nº 4.940 – quinta feira - dia 05 de fevereiro de 2015 reconhece e  oficializa este reconhecimento.
FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS
2015 – Ano de Aldo LOCATELLI em PORTO ALEGRE

ARTE e FOLCLORE.
Eliseu PAGLIOLI

GOVERNO JUSCELINO KUBITSCHK

GOVERNO LEONAL BRIZOLA do Rio Grande do Sul

IGREJA São PEREGRINO e EMÌLIO SESSA

João CEZIMBRA JAQUES (1848-1922)

João SIMÔES LOPES NETO (1865-1916)

NEGRINHO do PASTOREIO – murais da Aldo Locatelli no Palácio Piratini

PROPORÇÃO ÁUREA de um QUADRO

SÃO PEREGRINO Caxias do Sul

SIMON, Cirio  - Origens do Instituto de Artes da UFRGS: etapas entre 1908-1962 e contribuições nas constituição de expressões de autonomia dos sistema de artes visuais no Rio Grande do Sul Porto Alegre : Orientação KERN, Maria Lúcia Bastos .PUC - RS, 2003—570 p..- Disponível em
DOMÍNIO PÚBLICO


VÍDEOS
LOCATELLI, Aldo Danielle (1915-1962) centenário em 18.ago.2015 
1960 Inauguração da Via Sacra Caxias do Sul
Itajai - SC
Palácio Piratini
 Zero Hora

INSTITUIÇÕES com  MEMÓRIA de ALDO LOCATELLI.

Acervo da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo IA-UFRGS

ARQUIVO do INSTITUTO de ARTES da UFRGS

Catedral São Francisco de Paula Pelotas –RS

Instituto Cultural Emilio Sessa

Igreja São Peregrino Caxias do Sul - RS

Museu de Arte do Rio Grande do Sul e Aldo Locatelli

PINACOTECAS ALDO LOCATELLI e RUBEN BERTA

PINACOTECA APLUB- Porto Alegre - RS

SALA de ARTE de JORGE KARAM – Porto Alegre - RS


Relação de LOCATELLI com o IA- UFRGS: O CTA-IBA faz  tratativas entre 22.12.1950 até 10.02.1951 para trazer Locatelli para o Instituto. Locatelli responde em correspondência de 20.02.1951 aceitando o convite para lecionar Arte Decorativa. Irá ocupar interinamente  a cadeira de José Lutzenberger que está doente e falece em 02.08.1951 Locatelli responde de Pelotas (rua Benjamin Constant, 412) e irá receber Cr$ 8.400,00 mensais
       Em 31.05.1952 o IBA pelo oficio nº 484/52, solicita que Locatelli se naturalize.
       Em 24.09.1954 recebe o atestado nº 15.240 da 3º categoria militar
       Em 29.09.1954 é publicado no DO a naturalização de Locatelli
       Em 03.11.1955 é autorizado a ocupar o cargo interino de professor catedrático padrão O da cadeira de Arte Decorativa no Curso de Artes Plásticas.  (publicado no DO de 07.11.1955)
       No dia 22.11.1955 Locatelli toma posse do cargo
       No mês de fevereiro de 1958 pinta o painel do 8º andar do Instituto de Artes
       1960-1961 Escreve a tese  «Mural – Análise, considerações, método e pensamento»   
       Em 31.07.1962 escreve para um amigo de POA sobre o estado precário de sua saúde
       Em 23.08.1962 pede licença para tratamento de saúde para A Diretora Aurora Desidério
       Em 27.08.1962 recebe licença de trinta dias da 7ª delegacia Federal de Saúde
                              Leciona até o meio dia deste dia e promete ir  ao médico
       Em 03.09.1962 falece
       Em 23.09.1964 é exonerado do Instituto e da Universidade pelo Diário Oficial de
Fontes do Arquivo do IA: pasta nominal de Aldo Locatelli.



[1][1] - Texto de uma alocução em inglês pronunciada por Marcel Duchamp, num colóquio organizado em Hofstra em 13 de maio de 1960.   Consta em SANOULLET, Michel. DUCHAMP DU SIGNE réunis et présentés par.. Paris Flammarrion, 1991, pp. 236-239
                   

Este material possui uso restrito ao apoio do processo continuado de ensino-aprendizagem
Não há pretensão de lucro ou de apoio financeiro nem ao autor e nem aos seus eventuais usuários
Este material é editado e divulgado em língua nacional brasileira e respeita a formação histórica deste idioma.

Referências para Círio SIMON