sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

058 - ISTO é ARTE


WALTER ZANINI
*1925 - +2013
A escrita só é possível quando um sujeito a sustenta:  
ela e as suas consequências ,   Compagnon, 1996, p. 65/9.

Fig. 01 – Walter Zanini exerceu, ao seu modo, a difícil mediação nas artes visuais e no âmbito do hábito da integridade intelectual. As instituições, nas quais trabalhou e orientou, estão aí para contar o quanto ele foi produtivo para as artes de toda cultura brasileira. O seu hábito de integridade intelectual contrasta no meio de atravessadores, mediadores que tutelam cargos em cujas funções revelam-se verdadeiras nulidades. Carecendo de um projeto para as efetivas funções, para as quais estes cargos foram criados, mais atormentam e atrapalham do que ajudam. Mesmo com fortes orçamentos, malbaratam fortunas reunidas com a maior boa vontade.

Se alguém sabia e sustentava “O QUE é Arte” com as suas circunstâncias históricas brasileiras, este alguém respondia pelo nome Walter Zanini. Jamais alguém ficará sabendo quem foi Walter Zanini. Sabemos dele é o que ele foi[1]. No seu modo de SER Zanini abriu generosas portas e janelas para o seu ENTE. Generosidade visível e materializada nas suas orientações, pesquisas, curadores, nas palestras  e nas suas aulas nas quais nunca poupou as energias mais profundas  com quais fez circular o poder da Arte. Não foi produtor de obras de Arte. Porém conhecendo os caminhos abertos por outros ENTES em direção da Arte fez-se guia abalizado daquilo que é mais difícil, improvável e gratuito para a compreensão humana.  A inteligência estética brasileira perde, com o seu desaparecimento físico, um dos expoentes em ser companheiro dos menos experientes no caminho que ele havia realizado. Com o registro desta experiência a memória nacional ganha um incomensurável acervo de contribuições institucionais, obras e produções pessoais no campo das forças da Arte no Brasil.


[1] Hannah Arendt registrou  (1983: 244) como: “quem é, ou quem foi alguém, não o sabemos a não ser conhecendo a história da qual ele é o herói- dito de outra forma - a sua biografia; todo o resto do que sabemos dele, incluindo aí a sua obra que deixou, nos diz somente o que ele é ou o que ele era”.


Fig. 02 – Evidente que as obras gerais, de qualquer área humana ou técnica, são competentes para enumerar e sumariar algumas tendências importantes para a mentalidade do momento e de quem as elabora.  No momento seguinte o própria campo de saberes ali enfeixados  aponta para outros rumos. A pós-modernidade enveredou para as extensas e infindáveis enumerações captadas, elaboradas e reproduzidas pelos meios numéricos digitais. A obra HISTÒRIA GERAL da ARTE no BRASL coordenada por   Walter Zanini é um elemento indispensável nestas extensas enumerações  dos eventos, tendências e obras de Artes Visuais das quais a pós-modernidade pode incorporar, elaborar e reproduzir.

Constitui uma temeridade criar uma narrativa que tenha por tema o incomensurável acervo das contribuições de Walter Zanini. Esta narrativa entra na contradição pela proximidade deste expoente contra  remetê-lo para ao tempo distante. Esta narrativa possui todos os riscos da mitificação de esquemas mentais laudatórios na proximidade empírica contra uma escrita  mais documentada e impessoal. De um lado colher a ocasião significa confusão e parcialidade do outro a imparcialidade e a procrastinação desta narrativa significa a  ameaça do esquecimento. Ameaça reforçada pela falta de arquivos, as sistemáticas destruições e as rupturas e fragmentações. O meio termo pode ser de um ecletismo atroz e um derradeiro e definitivo desaparecimento.

Fig. 03 – A coordenação de Walter Zanini produziu, ajudado por figuras expressivas, textos e imagens compendiadas nos dois volumes da obra impressa HISTÒRIA GERAL da ARTE no BRASL. Esta obra marcou época e  se oferece para a pós-modernidade para o seu conteúdo ser incorporado, elaborado, criticado e desafiar a que produzam  enumerações  que caracterizam  eventos, tendências e obras de Artes Visuais sob outros paradigmas concorrentes.

Diante destas três alternativos resta “sustentar esta narrativa e as suas consequências” no conselho de Compagnon. 

Walter Zanini pertenceu ao tempo e conviveu com ele como historiador. Ele também “situa-se entre o tempo que continua e ao mesmo tempo muda e gera problemas de investigação” conforme Marc Bloch (1976: 30, 60). Se o fluxo do tempo terminou para este profissional, a sua obra dirá dos problemas de investigação irá suscitar.

HILDEBRANDT Adolf von (1847-1921) - Túmulo família Dreher 1919- Cemitério São José Porto Alegre - RS
Fig. 04 – O interesse de Walter Zanini não se limitou ao universo estético nacional. A cultura brasileira não pode se fixar num tipo único e definitivo de interesse de uma identidade nacional postiça e imposta como no seu período colonial. Uma Arte cujas fontes estão na soma de tantas etnias, culturas sem fim e de  estágios culturais próprias do coletador e passando por todos os degraus de desenvolvimento técnico até a mais alta erudição possível pode-se dar ao luxo de contemplar e sentir também ao obra de Adolph von Hildebrandt que Walter Zanini visitou e estudou em Porto Alegre.  Esta iniciativa de Zanini diz da capacidade incorporá-la sem se confundir com ela e se transformar num ícone.

As contradições, os bretes culturais e excomunhões recíprocas não surpreendiam este paulista com uma sólida formação erudita. Com uma ampla visão estética Zanini não entrava nos atoleiros nos quais presas algumas almas penadas incapazes de exercerem rupturas intelectuais e culturais. Bretes como os denunciados por Durand quando escreveu (1989: 5) que:

 “a partir da conversão ao modernismo dos intelectuais mais ativos no jornalismo cultural e na crítica de arte, a história do campo das artes plásticas ficou clivado por uma espécie de periodização maniqueísta na qual tudo o que se refere à fase acadêmica como que lembra conformismo, subserviência ao estrangeiro e conservação estética e tudo o que diz respeito ao advento do modernismo como que se recobre de criatividade, ousadia e autenticidade nacional”.

  Contra esta conservação estética a biografia de Walter Zanini encontra-se coerente no fluxo do seu tempo. A sua obra é continuação do seu pensamento. Pensamento que ele formalizou nas instituições destinadas para um tempo indeterminado, na sua obra escrita documentada que circula e em parte está impressa.

Fig. 05 – O administrador cultural Walter Zanini conferiu uma notável estrutura administrativa ao museu da Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e o conectou às suas memoráveis curadorias das legendárias Bienais de São Paulo.  Agora podem ser avaliadas após o seu desaparecimento físico enquanto ambas continua. Um dos índices mais seguros dos acertos no meio de dúvidas, concorrências de alternativas possíveis na época é o fato que ambas ingressaram  no século XXI, aumentaram e estão em plena fase de reprodução em tempos bem distintos.

Nesta obra documentada há necessidade de visitar, observar e institucionalizar o que não foi para ser impresso. O seu pensamento seguiu o caminho do hábito da integridade intelectual onde é possível localizar o crítico. A sua obra no âmbito institucional teve por centro a identidade da disciplina de História da Arte.

Os seus estudos, as suas pesquisas, os seus trabalhos e suas obras foram realizadas num ambiente que sabia carregado de conceitos e hábitos arcaicos como Zanini registrou (1997: 27)

a História da Arte no Brasil recebeu com defasagens notórias a influência dos principais métodos científicos que assinalaram sua ordenação científica na Europa a partir dos últimos anos do século XIX. O alargamento de seu interesse, no segundo pós guerra e sobretudo aquele em nível de carreira universitária – alterará a situação anterior

Esta esperança universitária é sustentada na cultura ocidental pela Universidade de Bolonha, até pela sua tardia introdução efetiva para todo território nacional em 1931.

Fig. 06 – O tio artista Mario Zanini mostrou na prática para o mediador de artes Walter Zanini as exigências das forças estéticas que permitem ao criador de arte de ser o mais inútil dos temerários. Temeridade que permite extrair e mostrar os traços do sobre humano que só ele sabe exercer, conforme sentenciou Nietzsche. Se a Filosofia nasceu do espanto, o crítico de arte, o historiador e cronista de arte progridem de espanto em espanto diante de alguns seres privilegiados que exercem  esta força de se sobreporem ao humano e à Natureza. Se for o ente familiar, mais sentida, aprendida e aplicada será a lição. 

A arte possui um caminho particularmente difícil  em relação à autêntica instituição universitária brasileira. Especialmente de uma universidade que reduz, para se manter, mental e materialmente, aos já debilitados cursos ditos superiores. Cursos que estão longe de  universitário, apresentam os esquálidos esqueletos que se confessam estritamente profissionalizantes no seu funcionamento prático. Diante de um campo de saber como a arte estes cursos superiores profissionalizantes não toleram  qualquer intromissão de um paradigma que não seja utilitário e de retorno monetário imediato.

 Walter Zanini estava consciente dos estragos da tardia introdução das disciplinas da História da Arte, da sua rala distribuição geográfica e da carência de uma massa crítica qualificada. Isto sem falar  da falta de um apoio decisivo de um projeto civilizatório compensador da violência, da heteronímia  de um pacto social autêntico que nunca existiu. Consciente de uma cultura que acha mais cômodo importar leis e bacalhau seco de outras culturas que ele supõe infinitamente superiores, sem se importar como estas culturas resolveram os seus problemas.

Experiente Zanini escreveu (1997: 21) que:

a História da Arte é disciplina sem um claro espaço de desenvolvimento básico na universidade brasileira [...] uma tal situação não pode ser simplesmente redimida em estágios de especialização ou pós-graduação. É preciso, portanto, que se transforme esse quadro assim sedimentado e não mais toleráveis”.

Apesar disto Walter Zanini foi um qualificado medidor, tutelar, professor e intelectual, no sistema de arte do Brasil. Dificuldades das quais ele estava consciente das causas e efeitos e que, no contraste, só ressaltam a sua figura humana, moral e intelectual.  Fez-se mediador qualificado entre o artista produtor e o se potencial público. Tutelou instituições de Arte, conhecendo as suas competências e limites muito antes de assumir a função. Foi professor de estudantes a quem não regateava o seu vasto conhecimento e intelectual resultante de pesquisas e de interações de toda ordem. Porém isto só era possível na medida em que o seu ENTE derramava no seu SER estas qualidade. Um ENTE que ninguém conhece quem foi, mas não deixava dúvidas sobre o seu modo de SER.


Fig. 07 – O olhar aguçado de Walter Zanini estava  atento para as forças que movem as artes visuais e ao hábito da integridade intelectual exigidos por quem quiser exercer um cargo uma carreira universitária. Porém não geraram nenhuma aura acadêmica. Ele podia ser surpreendido nas mais informais interações com o seu público e estudantes antes e após as suas rigorosas e documentadas explanações nos ritos acadêmicos. O seu exemplo arrastava para o seu repertório construído com as mais eruditas e seguras fontes.

Walter sabia que a Arte seria impossível se todas as representações totalizantes fossem rigorosos clones das outras. O respeito a estes ciúmes entre paradigma concorrentes pela hegemonia dos seus respectivo auditórios,  levou o esteta paulista a estudar os fenômenos da atualidade para extensas e infindáveis enumerações da pós-modernidade. Formado ainda na era industrial cheias de normativas totalitárias teve condições de realizar rupturas epistêmicas e estéticas das quais saiu por cima. No seu modo de SER evidenciava que era portador de uma cosmovisão estética que busca a integração de tudo e de todos no seu âmbito transformando contradições em complementariedades. De outra parte sabia que a cada cosmovisão correspondem numerosas outras que também são globalizantes e praticam excomunhões daquelas concorrentes.

Resta desejar longa vida ao pensamento de Walter Zanini. Pensamento que permanece na medida do cuidado e da atenção com que foi construído, entregue aos seus leitores e aos usuários das instituições ás quais dedicou o melhor de sua existência física. Pensamento a ser preservado, sistematizado e socializado com suportes institucionais na linha da Coleção Brasiliana da USP.

Na síntese final é possível atribuir ao WALTER ZANINI aquilo que Compagnon escreveu (1996, p. 65/9) que ele foi “o sujeito que soube sustentar a sua escrita e as suas consequências”, mesmo quando não está mais presente fisicamente. 
FONTES IMPRESSAS

BLOCH, Marc (1886-1944). Introdução à História. (3ª ed).Lisboa :Europa- América  1976  179 p.

COMPAGNON, Antoine.  O trabalho da citação. Belo Horizonte : Editora UFMG.           1996.  115p.

DURAND, José Carlos, Arte, Privilégio e Distinção: Artes plásticas, arquitetura e classe dirigente no Brasil, 1855/1985.São Paulo : Perspectiva: EDUSP 1989. 307p.

ZANINI Walter (1925-2013) História Geral da Arte no Brasil  (Walter Zanini Cord) São Paulo : Instituto Walther Moreira Salles, 1983 2 v. il

---------- A Arte no Brasil nas décadas de 1930-1940: O Grupo Santa Helena  São Paulo : EDUSP, 1991 191 p. il

----------Considerações preliminares sobre a História da Arte no Brasil - in 180 Anos da Escola de Belas Artes – Anais do Seminário EBA 180 Rio de Janeiro, UFRJ, 1997,  pp.21-32


FONTES NUMÈRICAS DIGITAIS

MAC USP


Bienal São Paulo 1981




+ OBRAS de WALTER ZANINI


Arte perde um crítico

CORREO do POVO ANO 118  Nº 122 PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 30 DE JANEIRO DE 2013 arte&agenda

FOLHA de SÂO PAULO


GAZETA do POVO


UOL


USP


PESQUISA


L’AVENIR de l’ART



GLOBO


Walter sobrinho de Mário Zanini -1907-1971


Zanini não foi um olhar vazio e fixo apenas nas obras de arte



Temas paralelos desenvolvidos pelo autor


Natureza dos paradigmas concorrentes:

Glossário e Algumas reflexões do autor deste blog em relação aos campos da História, Arte e Biologia.
História: os fatos que chegam ao conhecimento coletivo são aqueles mais dramáticos aos sentidos humanos. Dai a importância da Arte como índice sensorial dos objetivos e dos objetos de uma civilização dada da cultura humana. Arte em companhia da História, que Marc Bloch (1976 : 30, 60) “situa-se entre o tempo que continua e ao mesmo tempo muda gera problemas de investigação”. E que para Hannah Arendt representa (1983, p. 297) o:  conceito central das duas ciências verdadeiramente novas da época moderna, a ciência natural e histórica, é o conceito de processo, que está fundada sobre uma experiência humana: a da ação. É apenas porque nós sabemos capazes de agir, de nos destacar do processo, que nós podemos conceber, e a História e a natureza como sistemas de um processo”.  Arte e História que produzem, recolhem e divulgam informações provenientes no atrito dos incontáveis objetos na sua tensão com os objetivos humanos. Informações fidedignas e coerentes com o aqui e agora constituindo uma fonte da luz que orienta para o funcionamento do Estado. Este atrito alimenta-se das energias provenientes das tensões resultantes das percepções históricas entre a diacronia e a sincronia. Na simultaneidade e do acúmulo do presente (sincronia) interferem poderosamente as lembranças e heranças de um passado imutável e os receios, incertezas de um porvir sem garantias (diacronia). O arquiteto e historiador de Arte e prefeito comunista de Giulio Argan escreveu (1977: 7) que “o pensamento histórico nos leva a emitir juízos que nos permitem enfrentar o tumultuoso presente com a força que nos dão as experiências racionalizadas; ainda que o juízo enquanto tal, dando o fato passado como totalmente acabado, o fixa no seu tempo e seu espaço, diferente do aqui e do agora do presente. A história é «catárquica» na medida em que nos assegura que o passado é o passado e não pode repetir-se ou retornar, não existindo razão alguma para refazer seu espírito, dando-nos a experiência, contudo liberta-nos da complexidade do passado, confirma a plenitude da nossa responsabilidade para com o presente”. Este distanciamento também esta presente em Hannah Arendt quando escreveu (1983: 297) que pelo fato de sabermos capazes de agir, separar-nos do processo, nos podemos conceber, a história e natureza como sistemas de um processo”. Para Chartier a História não é uma mera contemplação  externa do passado do outro lado de um cristal, pois, segundo ele (1998: 104) “a história produz um discurso, mas ao mesmo tempo possibilidade de estabelecer regras permitindo controlar operações proporcionais à produção de objetos determinados”.

ARENDT, Hannah (1907-1975). Condition de l’homme moderne. Londres  :  Calmann-Lévy, 1983.

ARGAN, Giulio Carlo (1909-1992) . História da arte como história da cidade.   São Paulo :  Martins Fontes. 1977.

BLOCH, Marc (1886-1944). Introdução à História. (3ª ed).Lisboa :Europa- América  1976  179 p.

CHARTIER,  Roger.   Au bord de la falaise:  l´histoire entre certitudes et inquiétude. Paris  : Albin Michel, 1998.  293p.

História da Arte: O universo das severas prescrições da era agrícola e industrial é compatível com o universo as exaustivas descrições da era numérica digital informatizada. Exaustivas descrições que sempre formaram as narrativas da História da Arte.  Heidegger esclarece (1992: 62) “como instauração, a arte é essencialmente histórica. Isto não significa apenas: a arte tem uma história, no sentido exterior de ela ocorrer também nas mudanças dos tempos, ao lado de muitos outros fenômenos, e de aí se ver sujeito a transformações e perecer, oferecendo à história aspectos mutáveis. A arte é histórica, no sentido essencial de que funda a História e, mais propriamente, no sentido indicado” Estes dois universos mentais são complementares com os seus respectivos universos empíricos nos quais os seus poderes micro e macro potencialmente podem celebrar alianças, contratos e pacto. Neste Giulio Argan percebe (1992: 40) que  a História da Arte e a única história do agir humano tanto no aspecto da contemplação como no do trabalho” . Esta contemplação aliada e complementar do trabalho. Contemplação e trabalho que se reforçam- na era informatizada.  Contemplação e trabalho complementares que potencializam e são o conteúdo das potencialidades e dos vínculos que ligam às células micros (municípios) ao macro da cabeça nacional e internacional (Brasília- Blocos - ONU).
HEIDEGGER, Martin (189-1976). Origem da obra de arte. Lisboa: Edições 70,  1992.  73 p
História e biologia: Primordialmente insiste-se para que as energias diferenciadoras e libertárias tenham condições para fazer fluir as suas energias coletivas, inclusive para constituírem um grande organismo nacional, sem se confundir com ele. Estas energias primordiais mostram uma unidade espantosa quando aceitamos as observações dos biólogos Maturana e Varela quando escreveram (1996: 48) que   nós, como seres vivos temos uma história: somos descendentes, por reprodução, não só dos nossos antepassados humanos, mas de antepassados muitos diferentes que se estendem no passado até três milhões de anos. A outra é que, como organismos, somos seres multicelulares e todas as nossas células são descendentes por reprodução da célula particular que se formou ao unir-se um óvulo com um espermatozoide e nos originou. A reprodução está, por tanto, intrometida na nossa história em relação a nós como seres humanos e em relação a nossos componentes celulares individuais, o que curiosamente, faz de nós e nossa células seres da mesma idade ancestral. Mais ainda, desde um ponto de vista histórico, o anterior é válido para todos os seres vivos e todas as células contemporâneas: compartilhamos a mesma idade ancestral”. A espécie humana possui uma origem, um rumo e uma possível ancoragem num patrimônio comum nesta mesma idade ancestral comum. Apesar de todo o aparente caos e desorientação que o individuo, entregue a si mesmo, tenha condições para perceber as competências e os limites do mundo pontual que o cerca aqui e agora. Inclusive o  organismo nacional no qual este ser humano aparentemente isolado e único, tenha maestria para sentir, conviver, modificar e qualificar o seu pertencimento esta História da espécie. 
MATURANA R., Humberto (1928-) e VARELA. Francisco (1946-). El árbol del  conocimiento: las bases biológicas del conocimiento humano. Madrid : Unigraf. 1996a, 219p.

Historiador:  Aristóteles advertia (1972: 211) a quem busca a ciência para compreender o espaço empírico. Nesta busca dialética “é absurdo procurar ao mesmo tempo a ciência e o método da ciência. Nenhum deles é fácil de aprender, pois, nem o rigor matemático se deve exigir em todas as coisas, mas somente naquelas que não tem matéria”. O Poder Originário possui matéria e circula nas ações dos seus agentes. Ao apresentar matérias e ações este autor vale-se do pensamento de Marc Bloch quando ele afirma (1976: 29) que “o historiador pensa tanto o humano como o tempo”. Neste pensar, tanto o humano como o tempo, Cabral de Melo distingue (1995:14) “os amadores discutem estratégia, mas os profissionais preferem falar de logística, bem se poderia dizer que os historiadores preferem falar de documentos, deixando a outros o cuidado de descobrir o sentido da história”. Sem discutir ou avaliar, se o autor é amador ou profissional, ele busca, nos seus limites e parcas competências, um conhecimento e uma vontade para que ele como cidadão usufrua também o seu direito ao seu poder, sem subterfúgios ou corrupções. Nietzsche solicitou (2000: 27)  ao leitores do seu texto ‘o futuro das nossas escolasespero do leitor três qualidades: 1) - deve ser tranquilo e ler sem pressa; 2) - não deve fazer intervir constantemente sua pessoa e a sua cultura, e 3) - não tem direito de esperar – quase como resultado – projetos”.
ARISTÓTELES (384-322). Tópicos.   ; dos argumentos sofísticos (2ª ed.) São Paulo : Abril Cultural. 1972, 197 p.

CABRAL DE MELLO, Evaldo. A fronda dos mazombos. São Paulo : Companhia das         Letras, 1995. 530p.

NIETZSCHE, Frederico Guillermo (1844-1900). Sobre el porvenir de nuestras escuelas. Barcelona: Tusquets, 2000. 179.
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