segunda-feira, 11 de junho de 2012

011 - ARTE - brasilidade e germanidade


SUMÁRIO das 10 POSTAGENS e as suas CONEXÕES DIGITAIS

001 - ARTE - brasilidade e germanidade –
Fig. 01 –  Uma das imagens mais antigas sobre o Brasil, produzidas na Europa, foi realizada na Alemanha pelo gravador Theodore de BRY (1528-1598) sob narrativa de Hans STADEN (1525-1579)

INTENÇÕES GERAIS desta SÉRIE de POSTAGENS

A PÓS-MODERNIDADE se delicia com a mentalidade de poder trazer, para a cena pública, o regional, o específico e o único.  No contraponto, o planetário foi repetido e batido monotonamente por uma mídia destinada à uma inteligência média de 12 anos e cansa pela mesmice, pelo fixo e pela onipotência pretendida. Busca-se, assim, o regional, o particular, o específico e sob o enfoque da germanidade no Brasil, como um dos complementos e alternativo daquilo que é planetário no tema da Arte.
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002 - ARTE - brasilidade e germanidade -
Fig. 02 –  O soldado artista Wendroth mostra aqui oficiais do exército Imperial Brasileiro sob cujo comando estavam os 1.500 soldados germânicos dos quais permaneceu um nutrido grupo no Rio Grande do Sul e entre os quais estava Carlos von Kozeritz

A ARTE e suas CIRCUNSTÂNCIAS no ESTADO BRASILEIRO e no ALEMÃO.

Entre 1824 e 1830- época das grande e massiva migração germânica ao Brasil - não existia O ESTADO ALEMÃO unificado. Este Estado unificado em 1870, pouco fez pela continuidade da lógica dos contratos sociais, políticos e culturais anteriormente assumidos pelos seus próprios ESTADOS de ORIGEM. Unificado - e sob a dinâmica das frequentes mudanças dos regimes políticos - tornou-se temerário e impossível, ao ESTADO ALEMÃO, manter qualquer coerência com comunidades em terras estranhas e distantes. Este alheamento mantém-se nos dias atuais.
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003 - ARTE - brasilidade e germanidade -
  in TOBINO -2007- p 099a
Fig. 03 –  O pintor artista alemão Georg GRIMM (1846-1887) debruçou-se sobre a paisagem brasileira Aqui uma “Vista do Icarai” – RJ. Contrariou a tradição da pintura histórica proveniente da Academia e enveredou para a descrição direta e objetiva germâmica do que o olhar lhe oferecia na paisagem brasileira, numa linha que conduz para as preocupações e ações ecológicas.

CONDIÇÕES das PRÁTICAS ARTÍSTICAS no BRASIL, EXPRESSAS por INTELECTUAIS ESTRANGEIROS.

O senso da realidade, cultivado pelo artista, é o seu ponto de partida, mental e físico, de qualquer uma das suas obras de Arte. Assim o pior erro que um artista, descendente alemão, poderia cometer seria deixar de cultivar no Brasil a sua identidade e expressá-la nas suas técnicas, na sua cultura e na sua Arte. Tanto o Brasil, como a germanidade, sairiam perdendo.  Tanto o descendente como o Brasil viria uma das suas riquezas únicas internas ser subtraída de uma diversidade que o vincula ao cenário de uma civilização planetária.
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004 -ARTE - brasilidade e germanidade -
Fig. 04 –  O ponto de partida dos imigrantes, rumo aos seus lotes rurais individualizados, foi a partir desta antiga sede da Fazenda Linho Cânhamo.  Os imigrantes alemães, sem escravos e com o trabalho com as próprias mãos. Na economia passaram do escambo de produtos,  favores e concessões da cultura colonial brasileira, para as trocas no sistema da monetarização, tanto do contrato como governo provincial e imperial como para a venda dos seus produtos agrícolas.

CONDIÇÕES de PRÁTICAS ARTÍSTICAS no BRASIL,
EXPRESSAS por INTELECTUAIS NACIONAIS e ESTRANGEIROS.

O projeto da Arte, no âmbito da germanidade na cultura brasileira, ainda carece de um projeto que lhes forneça organicidade, competência e continuidade ao longo do tempo. Projeto que forneça coerência entre os diferentes esforços, em diversos rumos e níveis culturais e estéticos. No contrário, não faltam exemplos de rupturas, descontinuidades, da ação silenciosa e vigorosa da entropia, que age numa cultura desconectada da sua origem. Principalmente quando esta fonte original possui agora outros projetos e segue para rumos distintos daqueles para os quais foi a origem, há dois séculos passados.
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005 - ARTE - brasilidade e germanidade –
Óleo 117x148 cm MNBA -RJ- in Tarasantchi p.90
Fig. 05 –  Pedro Weingärtner (1853-1929) – “Derrubada” -, 1913, foi um dos artistas descentes dos imigrantes alemães, mostra, neste seu quadro a brutal realidade onde tiveram de iniciar o trabalho com as próprias mãos. Venceram esta etapa da ocupação da terra, realizaram com êxito a sua produção própria e passaram a inovar na cultura brasileira de três séculos do Regime Colonial. Na economia passaram do escambo de produtos,  favores e concessões, para as trocas no sistema da monetarização, tanto do contrato como governo provincial e imperial como para a venda dos seus produtos agrícolas.

ARTE e GER MANIDADE.

A Alemanha continua um projeto coerente com o seu tempo e próprio espaço. A Arte, no contexto germânico, expressa o ENTE de sua Nação em cada nova época e em circunstâncias únicas e inéditas. O imigrado evolui em outra nação e circunstâncias distintas daquelas dos seus antepassados, desta região. Mantém apenas traços e as forças de sua origem.
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006 - ARTE - brasilidade e germanidade -
Fig. 06 –  Apesar destas cenas se repetirem desde os primórdios da história  do Brasil e em todo vasto território, ela precisou do olhar, da atenção e do registro aparentemente verídico de um olhar germânico e bávaro de Joseph Franz Seraph Lutzenberger (1882-1951), para ganhar fórum  do registro visual e do mundo da Arte. Evidente que este registro gráfico contém muito da surpresa e da ironia de um estrangeiro. Ela faz pensar nos registros irônicos de cenas semelhantes aquelas do  seu compatriota, também de Munique, o pintor romântico Carl Spitzweg (1808-1885)

OLHARES da GERMANIDADE no BRASIL

É temerário colocar, num espaço tão restrito, os múltiplos e variados OLHARES da GERMANIDADE no BRASIL”  dispersos neste imenso território e ao longo de um meio milênio de colonização europeia. Pratica-se esta temeridade para criar mais uma narrativa em relação a este vasto panorama das obras das artes visuais produzidas a partir do OLHAR da GERMANIDADE”. Narrativa que trata este olhar disperso num Zeitgeist de uma linha do tempo brasileiro. Narrativa que tenta expressar o Weltgeist do território nacional que projeta as suas identidades próprias. Narrativa que busca oferecer um nível cultural de uma determinada população – Volksgeist - em contraste complementar civilizado com as demais etnias e culturas do Brasil.
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007 - ARTE - brasilidade e germanidade -
Fig. 07 –  A era industrial necessitava de circulação de seus produtos e transformação eles em valores monetários que poderiam alimentar os capitais investidos neste modo de produção. Uma das profissões indispensáveis era a do Caixeiro viajante. Reparar nos produtos da indústria coureira que são os arreios da montaria, a sela e as bruacas. No rastro destes caixeiros seguiram pintores como Pedro Weingärtner e especialmente fotógrafo ambulantes como este que registrou esta cena.

OLHARES da GERMANIDADE ao LONGO do
1º SÉCULO da sua GRANDE IMIGRAÇÂO ao BRASIL.

Nada impede que este Volksgeist se desloque de níveis mais intuitivos e passe a circular em níveis mais elevados, críticos e universais. A música erudita alemã expõe, com grande liberdade e autonomia, esta circulação e interação , alimentando-se nas fontes da música mais intuitiva e que se reforçam reciprocamente.  Ambas saem ganhando. Sai ganhando o imenso universo civilizatório desenvolvido pela germanidade, muito além dos limites do aqui e do agora. Este mesmo universo empírico oferece uma ampla e sólida base para ele mesmo atingir as esferas mais elevadas da aceitação universal do seu saber. Este tarefa, quando dispõe de um mundo erudito que o desafia a se abrir, a se renovar e a produzir o inédito, possui mais garantia de êxito e economia de energias.
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008 - ARTE - brasilidade e germanidade -
Fig. 08 –  O centro do complexo RHEINGANTZ, na cidade de RIO GRANDE em ruinas,  mostra o final deste modo de produção

Algumas INTERAÇÕES de TENDÊNCIAS ARTÍSTICAS GERMÂNICAS e BRASILEIRAS nas CICUNSTÂNCIAS da CULTURA da ERA INDUSTRIAL.

Dois artistas que emigraram da Alemanha, logo após a 1ª Guerra mundial, já possuíam a sua formação profissional definida. Assim não se deixaram enredar no patrulhamento ideológico de baixa estirpe e numa xenofobia e resistência a tudo o que é novo e diferente que se cultivava tanto na sua pátria de origem como na de sua adoção. O arquiteto e artista plástico, Joseph Seraph LUTZENBERGER (1882- 1951) como o artista gráfico Ernest ZEUNER (1895-1967), não foram perseguidos pelo Estado Novo brasileiro e nem se renderam aos apelos nazifascistas de sua época.
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009 - ARTE - brasilidade e germanidade -
Fig. 09 –  O museu da cidade de Agudo no interior do Rio Grande do Sul mostra a migração dos instrumentos agrícolas, artesanais e da incipiente indústria para o espaço público depois de perderem a sua função utilitária. O passo seguinte é sua migração para o espaço numérico digital na qual serão informações e imagens. Como imagens estarão no lugar de algo que teve alguma vez uma função e um sentido, mas separado da vida e da cultura agora com sentido e funções diferentes. Com certeza eles serão referenciais para o caminho feito e evitarão que as atuais criaturas humanas andem em círculos ao redor do nada, especialmente no trabalho do Bicentenário da Imigração alemã ao Brasil.

Os OLHARES da GERMANIDADE no BRASIL
ENFRENTAM um SISTEMA DE ARTES TEMPORÃO.

A ocasião, para estas duas forças contrárias se complementarem, poderá ser o Bicentenário da Imigração Alemã. Este evento segue cronologicamente evento do Bicentenário da Independência do Brasil. Estas duas datas próximas e complementares poderão ser duas ocasiões para evidenciar os profundos vínculos entre estas forças ainda latentes. Estes profundos vínculos ultrapassam os vínculos oficiais entre dois Estados soberanos. Exemplos destas silenciosas sinergias concorrentes e complementares, não faltam. Uma delas está na origem desta profícua interação estatal ente os dois entes nacionais. A Imperatriz Leopoldina, que chegou ao Brasil, em 1818, cercado de missões culturais e científicas de fala germânica. Diante dos olhos do mundo civilizado a Imperatriz e as missões foram fundamentais para os eventos da Independência do Brasil e da Imigração Germânica.
 Para reencontrar o caminho deste projeto de origem, que tenha alguma referência à germanidade, foi necessário reinventar, entre 1945 e 1990 toda a forma tradicional do fazer das artes visuais. Se de um lado este caminho deveria ser trilhado pelo artista individual, do outro lado eram imperativos a formação de grupos, de instituições e a constituição de uma consciência coletiva. Consciência coletiva necessária diante de pulverizações de estéticas tradicionais, mas sem perder o ânimo e força de uma explosão individual única e inédita.
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010 - ARTE - brasilidade e germanidade –
Fig. 10 –  O brutal encontro entre a civilização industrial e a floresta pré-histórica foi mostrado no filme germânico no filme   Fitzcarraldo (1982) como  parceria entre o diretor Werner Herzog e o ator Klaus Kinsk com participações brasileiras  especiais de Milton Nascimento, José Lewgoy e Grande Otelo

CONTRIBUIÇÕES ATUAIS da GERMANIDADE ao BRASIL.

Uma das contribuições mais significativas da germanidade à cultura brasileira parece ser a mentalidade da ecologia e o perigo que a espécie humana corre na continuidade de se modo de vida. Os reforços significativos e visíveis a desta mentalidade e os perigos que o meio ambiente corre, perpassam esta cultura em todos os níveis.
No entanto, o que necessita ficar evidente, para todos, é que o imigrante não veio ao Novo Mundo para implantar um clone de sua pátria. Teve de renunciar à sua cidadania de origem e iniciar no Brasil uma nova história. A nova geração de artistas sabe que o seu sentido e futuro residem no contexto do sistema brasileiro de artes visuais. Assim não existe nada, no âmbito da Arte, a recordar e a cultivar um período de ouro do passado e como algo separado nas interações do Brasil e da Alemanha. Na sua frente estão projetos nacionais e internacionais inconclusos, a serem continuados num devir nas frágeis e submersas interações e a serem reinventadas em cada nova época e circunstância.
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In TOBINO - 2007 p.183
Fig.12  - Culturas complementares desde muito tempo.



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